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Louis no Teatro

09/10/2011

Está em cartaz desde maio no teatro TUCA a peça “Sem Pensar”, uma adaptação do sucesso londrino “Spur of the Moment”. O texto original ganhou notoriedade não só pelo conteúdo, mas principalmente por ter sido escrito por uma adolescente de 17 anos – a mais jovem dramaturga a estrear uma obra no círculo nobre do teatro inglês. A garota, Anya Reiss, garante que o trabalho não é auto-biográfico e divide os créditos, no programa da montagem brasileira, com o seu orientador, que a ajudou a conectar os enredos e a tornar as reflexões mais profundas e incisivas.

Seja como for, o resultado final é mesmo um olhar muito divertido sobre o cotidiano. Divertido e incômodo, também. Excetuando-se um ou outro exagero de palco, todos os rompantes pelo que passam os personagens são dolorosamente verossímeis, culminando em uma cena sensacional em que a família se reúne na sala para assistir a uma cópia pirata de “O Cavaleiro das Trevas” – uma situação tão corriqueira e precisa que parece mesmo sugada da vida real.

A protagonista é Delilah (boa interpretação de Julia Novaes), uma garota às vésperas do aniversário de 13 anos que, entre as imitações de “High School Musical” com as amigas e as maratonas dos filmes de “Harry Potter”, desenvolve uma paixão platônica por Daniel (Kauê Telolli), o inquilino de 21 anos que ocupa o quarto ao lado. A princípio, a relação entre os dois sugere um vínculo fraternal – mas o estopim dos acontecimentos de um único final de semana vai colocar em xeque essa noção.

Mas os pais de Delilah (Denise Fraga e Kiko Marques) estão muito envolvidos em suas próprias atribulações para notar qualquer coisa ao redor: o marido pulou a cerca com a própria chefe e foi demitido quando o caso chegou ao fim, levando a família tanto à humilhação quanto à falência financeira. Os personagens interagem dentro das quatro paredes (imaginárias) do sobrado, em um abrir e fechar de portas constante que remete ao vaudeville.

A trilha, a iluminação e a intervenção bem marcada dos coadjuvantes simbolizam as passagens de tempo entre um incidente e outro, culminando em um clímax empolgante e muito bem narrado. Luiz Villaça, marido de Denise, assina a direção, em sua primeira incursão pelo teatro. Os principais méritos vêm da compreensão sincera do texto original, mas a transposição para a nossa realidade também tem o seu charme.

Serviço: Teatro TUCA

Endereço: Rua Monte Alegre, 1024
Tel.: (011) 3670-8455 / (011) 3670-8453

Quando: Sextas e sábados às 21h30 e domingos às 19h00. R$ 40,00 (sexta e domingo) e R$ 60,00 (sábado). Bilheteria: 15h00 às 20h00 (terça a quinta); a partir das 15h00 (sexta a domingo). De 13/05 a 30/10.

*

Também passa por São Paulo, em curta temporada, o musical “Hedwig e o Centímetro Enfurecido”. A história vem sido remontada há anos e ganhou a sua versão definitiva na Off-Broadway em 1998, com texto de John Cameron Mitchel e músicas de Stephen Trask. A mesma dupla depois adaptou a trama para os cinemas, em um filme de nicho que atingiu as proporções de cult entre os que o descobriram.

Mas a versão nacional, dirigida pelo improvável Evandro Mesquita, toma certas liberdades criativas, sendo a principal delas colocar dois atores se revezando no papel-título. Nessa montagem, os ótimos Pierre Baitelli e Felipe Carvalhido são Hedwig, uma transexual da Alemanha Oriental que, após uma cirurgia mal-sucedida de mudança de sexo, passa a cantar as suas amarguras em turnê com a banda. Eline Porto é a revelação, revezando-se em papeis secundários – entre os quais, Yitzahak, um sérvio com problemas com a imigração que se torna cúmplice de Hedwig.

Estruturado como um show de rock, com quatro músicos no palco e interações frequentes com a plateia, o espetáculo consegue humanizar mesmo as baixarias mais gratuitas (as piadas são adaptadas para incluir uma procissão de referências às celebridades brasileiras) e escapar do que facilmente poderia descambar para o grotesco. A peça, porém, julga-se muito mais profunda do que realmente é e tenta concluir em uma nota tocante, que soa muito mais honesta para os atores no palco do que para as pessoas na plateia.

Derraparam ainda nas traduções – as belíssimas canções originais perderam o ritmo e a rima, em um corre-corre para encaixar as sílabas extras na métrica – e os técnicos de som não conseguiram acertar no volume – os instrumentos, como em um bom concerto de rock, são espalhafatosos, mas muitas vezes se sobrepõem ao microfone e tornam parte da letra inteligível. Mas nada que arruine a experiência para o público, que, nos melhores momentos, se empolga como se estivesse em um estádio lotado, e não no minúsculo Teatro Nair Belo.

Serviço: Teatro Nair Belo

Endereço: Rua Frei Caneca, 569
Tel.:
(011) 3472-2414

Quando: Sextas às 21h30, sábados às 21h00 e domingos às 18h00. Bilheteria: 14h00 às 21h30 (terça a quinta); a partir das 14h00 (sextas e sábados) e das 14h40 (domingos). Estacionamento – R$ 6,00 por duas horas. De 26/08 a 16/10.

3 Comentários leave one →
  1. 09/10/2011 8:37 pm

    Já que você está falando de teatro, assisti, nesta última sexta, uma peça excelente chamada “Pterodátilos”. Já assistiu, Louis??

    • 10/10/2011 12:32 am

      Já sim, Ka!!! Com o Marco Nanini, certo? Muito boa mesmo. Meu amigo que viu comigo bateu o carro no caminho do teatro hahaha! Passou aí por Natal ou você veio por essas bandas e esqueceu de me avisar?🙂

  2. raa permalink
    20/12/2011 4:43 am

    Louis, sentindo falta de atualizações! =/

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