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A volta dos clássicos: O Rei Leão 3D

27/08/2011

“O Rei Leão”, o clássico da Disney de 1994, retorna aos cinemas brasileiros nessa sexta, remodelado em cópias 3D. Pelas próximas semanas, o filme será também relançado em escala mundial – uma reestreia que, 17 anos mais tarde, está aguçando os ânimos da geração que conferiu a animação em sua exibição original e de tantos outros que a descobriram anos depois, em VHS, DVD ou Blu-ray. Os mais pequenos terão ainda a chance de conhecer a história de Simba, o leãozinho proclamado rei da selva africana, na telona, com efeitos inigualáveis de som e imagem.

A forma, porém, só pode ser repensada porque o conteúdo em si não arrefeceu. “Isso é o que há de único nas animações da Disney: os filmes têm uma qualidade perene. Eles não envelhecem e sempre parecem frescos e relevantes”, defendeu Rob Minkoff, o diretor de “O Rei Leão”, convocado para reestruturar a obra em 3D. A Disney lhe é muito grata pelo trabalho no filme: o desenho, um dos mais aclamados e relembrados de todos os tempos, arrematou dois Oscars (Trilha Sonora e Canção) e rendeu dividendos inesgotáveis ao estúdio, na forma de produtos e de entretenimento (incluindo um extraordinário musical da Broadway, remontado ao redor do mundo).

Um sucesso compreensível: tal e qual similar à trama shakespeariana de “Hamelet”, do qual emula os temas centrais de trono usurpado e herdeiro renegado, “O Rei Leão” era um musical vibrante, contagiante e não raro emocionante, tanto em seu miolo quanto em suas arestas. O enredo: o protagonista, o leão Simba, debanda da alcateia depois da morte do pai, o Rei Mufasa, pela qual seu tio, o tenebroso Scar, lhe faz sentir responsável. Antes de amadurecer e de clamar pelo que é seu de direito, Simba se depara com uma porção de coadjuvantes pitorescos – entre os quais o suricata Timão e o javil Pumba, dois ícones da Disney dos anos 1990 – e vive ainda uma história de amor leonina.

A julgar pela empolgação em torno de “O Rei Leão 3D”, o apelo desse enredo não prescreveu. Mas era importante para os envolvidos que o relançamento não fosse motivado apenas por estatísticas mercantis – uma sensação inevitável, em tempos em que o próprio 3D foi banalizado em projetos que se aproveitavam do rótulo somente para inflar o preço dos ingressos. “Não queríamos fazer porque é uma modinha”, afirmou Minkoff. Como exemplo, ele resgata o que a tecnologia teve de melhor. “Essa conversa sobre o 3D tem se prolongado há alguns anos, se muito, mas depois de ‘Avatar’ não restaram dúvidas. Ninguém contestava que era uma experiência incrível, e o entusiasmo para rever ‘O Rei Leão’ dessa maneira era grande”, justificou o diretor.

A conversão, contudo, é um recurso que muito dificilmente tem dado certo. “Avatar” foi filmado com o 3D em vista, com enquadramentos e ângulos específicos para realçar a profundidade e as texturas da lua Pandora; “O Rei Leão”, por sua vez, já existia como uma obra chapada. Minkoff, porém, correu atrás do prejuizo. “Eu tive aulas de 3D”, admitiu o diretor. “Discutimos os componentes da tecnologia, porque, de fato, as escolhas que você faria em um filme convencional não são as mesmas que faria para um 3D”, completou.

Havia muitas escolhas a serem feitas, mas, principalmente, o desafio de não dilacerar o espírito do original no processo. “Eu respeito muito o filme como ele era”, confirmou Minkoff. Segundo o diretor, as alterações apenas potencializaram a magia de “O Rei Leão”, quase como se literalmente envolvesse o espectador nas savanas africanas em que a história se passa. “Agora, você se sente parte do mundo do filme, que é basicamente o que o cinema tenta fazer. Você quer ser absorvido pelo filme e sentir que é, de fato, uma parte dele”, disse Minkoff.

O trabalho foi pesado: não para inserir efeitos gratuitos de objetos ou elementos que “saltam” na plateia – algo que, segundo Minkoff, distrai o espectador ao invés de emergi-lo mais ainda na experiência -, e sim para trabalhar os planos e as marcações dos personagens. “É preferível que a profundidade esteja atrás do plano principal, pois parece que você está olhando pela janela desse mundo, ao invés de coisas que passam à frente desse mundo”, explicou o diretor sobre as duas abordagens.

“Não há porque jogar coisas para fora da tela, a não ser em momentos que realmente fazem sentido”, emendou, citando como exemplo a cena em que Simba é rodeado por uma nuvem de poeira, cujos grãos parecem atingir também a plateia. Minkoff reconhece, no entanto, que o truque de avançar elementos sobre o público foi importante na popularização do 3D, e prestou um elogio à evolução cinematográfica recente, que tem proporcionado espetáculos como o próprio relançamento de “O Rei Leão”. “O cinema está aqui para conservar certas tradições ao mesmo tempo em que incorpora os gostos contemporâneos”, refletiu o diretor.

Por falar em novas tendências, Minkoff chama atenção para o fato do 3D ser a força motriz do mercado atualmente. “É uma grande oportunidade para os filmes, pois há o entretenimento doméstico e as televisões 3D”, comentou o cineasta. Ele comentou, ainda, que “A Bela e a Fera” (1991) também será relançado em 3D – mas não passará pelos cinemas, como “O Rei Leão”, e sim em cópias Blu-ray, para serem rodadas nos televisores de mais alta definição.

 Segundo Minkoff, tudo faz parte de um ciclo. “Quando era criança, sempre chegavam filmes da Disney aos cinemas, mas eram cópias de produções antigas que o estúdio relançava. Depois veio o vídeo cassete e, com ele, a necessidade de novas produções e uma nova cartela de lançamentos”, contou o diretor. O exemplo é útil para provar que uma inovação não anula o que existia antes dela: ela também pode complementá-la e incentivá-la. O que, afinal, sintetiza todo o propósito de “O Rei Leão 3D”.

2 Comentários leave one →
  1. 27/08/2011 2:24 am

    E eu, receoso do que poderia surgir da conversão para 3D, gostei bastante do resultado. Foi de um capricho que justificou todos aqueles (nove, não?) meses de trabalho. Um clássico desses — um dos meus filmes favoritos — no cinema para quem nunca o viu na tela grande é um presente. E igualmente entusiasmante para quem revê ou assiste pela primeira vez — como justificou a plateia bem heterogênea que chorou, cantou, disse falas, riu e aplaudiu ao final. Palmas para o rei.

  2. 03/09/2011 5:19 am

    Excelente post! Tive a oportunidade de assistir ao filme e até fiz uma crítica no meu blog dizendo o quanto o mesmo é maravilhoso. Faço dos comentários do Mateus os meus.
    Um abraço!

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