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True Blood, o season premiere

27/06/2011

Para quem está acostumado a acompanhar os seriados por download, juntamente com a exibição original na televisão americana, a 4ª temporada da série vampiresca “True Blood” já começou. O episódio de estreia foi exibido neste domingo (26/6) na HBO dos EUA, após uma campanha de primeira linha para promover o retorno do programa.

No caso de uma série da grife de “True Blood”, um episódio inédito após meses de abstinência equivale para os fãs a um verdadeiro evento da cultura pop. Com base nos números da temporada anterior, só as exibições na emissora ficam na casa dos 4 milhões de espectadores semanais, número que se potencializa com as gravações e, é claro, os downloads paralelos. Um sucesso absoluto para os moldes de um canal pago, enfim.

As credenciais da equipe falam por si só. Alan Ball, o criador do programa, tem um Oscar na estante pelo roteiro de “Beleza Americana” e muita moral na HBO desde que concebeu “A Sete Palmos”, um dos dramas mais premiados e assistidos da rede na primeira metade dos anos 2000. Anna Paquin, que interpreta o papel principal – a garçonete que lê mentes Sookie Stackhouse – também tem um Oscar em casa, mas, por hábito, o guarda em lugares pouco lisonjeiros, como o guarda roupas e a gaveta: ela foi premiada como Melhor Atriz Coadjuvante por “O Piano” (1993) aos 11 anos de idade, e passou os 15 seguintes sem corresponder a essa promessa (salvo as participações na franquia “X-Men”, que lhe rendiam certa evidência).

Paquin é hoje uma das principais beneficiadas pelo sucesso de “True Blood”, mas não a única. O elenco da série goza de uma badalação anormal para um programa de TV, em especial durante a época do ano em que “True Blood” transmite episódios fresquinhos (a temporada, feita aos moldes do canal, tem uma média de 12 episódios – ou seja, não se vão mais que 3 meses para completar a exibição de uma temporada completa). Todos estão em dívida com Ball – que, por sua vez, também deve muito à autora Charlaine Harris, que escreveu os livros “Southern Mysteries”, a fonte de inspiração para a atração.

Ball comenta que folheou um dos livros na sala de espera de um consultório médico, e percebeu de imediato o potencial televisivo daquela história. Harris desenhava um mundo onde os vampiros deixavam de esconder sua existência (“saíam dos caixões”, na gíria popular) diante da invenção de um sangue sintético. Para assegurar a sobrevivência, eles não precisam mais atacar humanos – basta que entrem em qualquer supermercado ou loja de conveniência e comprem garrafas de sangue por engragado para saciar a sede. A sede, mas não a luxúria.

Os vampiros de “True Blood”, confinados na cidadezinha rural de Bon Temps, são criaturas sexualizadas e profundamente inseridas em uma aspiral de violência. Já o protagonista Bill Compton (Stephen Moyer, marido de Anna Paquin na vida real) é um sujeito bem intencionado, transformado em vampiro enquanto retornava da Guerra Civil americana. A atração entre Bill e Sookie é mútua: o sangue dela, por algum motivo que só se tornou claro nas temporadas posteriores, é mais irresistível que o de qualquer outro ser humano; a presença de Bill, por outro lado, é reconfortante à Sookie, que não consegue ouvir os pensamentos dos vampiros e, portanto, não tem de policiar a própria telepatia.

O relacionamento dos dois propulsiona uma onda de preconceito em Bon Temps – a metáfora ideal para que a série trate, entre os vários tópicos que comumente aborda, de fanatismo religioso, exorcismo, racismo, homofobia, promiscuidade e vício (o sangue dos vampiros, inclusive, acaba se revelando uma droga alucinógena potente quando ingerido por humanos). Para que as analogias funcionassem, o enredo era construído dentro de limites aceitáveis como críveis e amparado por personagens coerentes e carismáticos.

Até, é claro, que a série fosse se enveredando por terrenos ainda mais fantasiosos e, a certa altura da 3ª temporada, penetrando na mitologia a ponto de perder o foco que as duas temporadas anteriores tinham conseguido enquadrar. O elenco entrou em constante expansão, os personagens originais foram perdendo o espaço e a essência, e o universo que havia se firmado com certa inteligência perdeu os parâmetros para doses cada vez mais exageradas de gore – sangue e violência em níveis que extrapolavam os limites do bom gosto. A 4ª temporada tem, portanto, muito a que reparar. E pode ser que consiga, tendo em vista o episódio de estreia e o segundo, também disponibilizado na internet.

Um final de temporada deve deixar ganchos – situações pendentes que fisgam o espectador até o ano seguinte – eficientes, o que “True Blood”, que se encerrou com o sumiço de Sookie para o mundo das fadas, não conseguiu fazer. Felizmente, essa trama digna de filmes da Xuxa se resolve logo nos minutos iniciais – mas não sem antes constranger o público com sua lógica distorcida e bagunçada, e efeitos especiais que remetem mais à “Chapolin” do que a uma produção dessa estirpe. Quando Sookie finalmente retorna ao mundo real, porém, as coisas parecem entrar nos eixos. O passeio na realidade mística, que se sucedeu em poucos minutos, representou mais de um ano transcorrido em Bon Temps, e Sookie volta a uma realidade um bocado diferente daquela que deixou. Para os que ficaram, o “desaparecimento” de Sookie foi preocupante: Jason (Ryan Kwanten), agora um policial registrado, dera a irmã como morta e colocara a casa da família a venda. O imóvel foi adquirido pelo vampiro Eric Northman (Alexander Skarsgaard), que continua determinado a possuir (no sentido de “ter”) a moça; Bill, o vampiro amado que Sookie dispensara na temporada anterior, deixou de ser um Zé Ninguém e agora assume papel mais ativo na cadeia de comando de sua raça.

Também há mudanças nos outros núcleos. Sam (Sam Trammell), o dono do bar onde Sookie trabalhava, passou a se reunir com seus iguais, e já faz uso livre e indiscriminado de sua habilidade de se metamorfosear em outros animais. Tara (Rutina Wesley), a melhor amiga de Sookie, deixou os sofrimentos de Bon Temps para trás e agora vive em Nova Orlens, como lutadora de vale-tudo, e mantém um relacionamento lésbico com uma de suas adversárias de ringue. Lafayette (Nelsan Ellis) foi levado pelo namorado a um culto de bruxaria, e deve ser um dos peões mais importantes dessa temporada – o tal culto, liderado por uma bruxa um tanto baratinada (interpretada pela brilhante atriz inglesa Fiona Shaw, a tia Petúnia da franquia “Harry Potter”), passa a explorar magia negra e, com certo controle sobre os mortos, representará a maior ameaça à classe dos vampiros nos episódios seguintes.

Saltar um ano no tempo foi, afinal, a decisão mais coesa que “True Blood” poderia ter tomado – em especial, porque as 3 temporadas anteriores ocorreram em ritmo imediato, como se apenas dias ou semanas tivessem se transcorrido desde o início da série até o ponto em que os personagens se encontram. Agora, mesmo as histórias antigas parecem revigoradas e inteiramente novas. E se Ball ainda insiste em alguns dos apêndices mais aborrecidos da temporada passada – como a comunidade de traficantes de mentalidade subdesenvolvida que Jason topou ajudar ou o bebê de ascendências sinistras da garçonete Arlene (Carrie Preston) -, ao menos parece mais centrado nos personagens que realmente importam para a ação. Com episódios assim, é fácil deduzir porque “True Blood” se tornou um vício – e o público, só depois de privado dele, pode perceber o quanto a abstinência lhe custou.

5 Comentários leave one →
  1. Bárbara :) permalink
    28/06/2011 2:06 am

    Estou baixando o episódio agora.
    Ah, vc tem postado pouco. Antes entrava no seu blog quase todos os dias para ver os novos posts. Está muito ocupado?

  2. 28/06/2011 11:27 pm

    Desisti dessa série ainda na primeira temporada…. E NÃO sinto falta! rsrsrs

    Beijo!

  3. 05/07/2011 5:03 pm

    True Blood que está perdendo o espaço que tinha no meu coração. Depois do fiasco da temporada anterior e esse começo fraco, fica difícil continuar empolgado, até porque ela nunca foi minha preferida, mas estava ganhando minha atenção, pena que a terceira temporada veio pra mudar isso.

  4. 08/07/2011 2:25 pm

    Escrevi uma coisa erra ai em cima, haha. Mas eu gostei bastante do segundo episódio, só achei chato o primeiro.

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