Skip to content

Hop – Rebeldes Sem Páscoa só provoca dor de barriga

20/04/2011

Não há época mais oportuna para o lançamento de “Hop – Rebeldes Sem Páscoa” do que esse feriado. O novo filme de Tim Hill, diretor de “Alvin e os Esquilos”, é estrelado pelo símbolo mais representativo da data para as crianças – o Coelhinho da Páscoa, aquele que espalha ovos de chocolate pelos cantos. Como o Papai Noel, outro ícone que também roubou de Jesus um feriado religioso, o Coelhinho passa 364 dias do ano se preparando para uma única ocasião. Ao invés de produzir brinquedos com os elfos numa fábrica do Pólo Norte, ele lidera uma equipe de pintinhos numa secretíssima fábrica de doces na Ilha de Páscoa. Lá, são feitos todos os quitutes imagináveis – de bombons a alcaçuz, de ovos de chocolate a jujubas.

Cabe a pergunta: como as guloseimas não expiram a data de validade desde quando saem do forno até serem entregues? Mesmo as fantasias precisam de uma lógica interna para se desenvolver, e talvez a falha mais incômoda de “Hop” seja não atestar o que é possível e o que não é possível acontecer dentro desse universo. Assim, quando um coelhinho defeca balas de goma à certo ponto da projeção, não é apenas o humor de gosto duvidoso que provoca estranheza, mas também o fato de que nada antecipava algo parecido. Não se trata de um momento isolado: o roteiro chinfrim e a direção automática de Hill drenam todo o charme que a história poderia ter, transformando o filme num desses passatempos corriqueiros que ficam abaixo da linha da mediocridade.

Nem tudo é despedício. É de encher os olhos a sequência em que a fábrica de doces, totalmente criada por computação gráfica, é apresentada durante os créditos iniciais – as cachoeiras de chocolate e confete são tão vistosas e apetitosas quanto o refúgio de Willy Wonka em “A Fantástica Fábrica de Chocolates”. A fofura, porém, se esvai quando o mundo digital é incorporado ao real. Da mesma forma que em “Alvin e os Esquilos”, atores de carne e osso passam a interagir com os personagens de CGI, dando margem à piadas manjadas com os humanos que se espantam com a presença – ou seria existência? – de animais falantes. Basicamente, tudo o que já foi visto em “Alvin” e em sua desnecessária continuação é requentado novamente.

Assim como naquele, o protagonista é um bichinho com traços antropomorfizados e sérias pretensões musicais – lá, eram três esquilos cantores; aqui, é um coelho que sonha em ser baterista. O humano (lá, Jason Lee; aqui, James Marsden) leva uma vida sem rumo e não é nada receptivo à presença da criatura, mas acaba se afeiçoando a ela e até aprendendo algumas lições ao longo do caminho. O dilema principal envolve Júnior, o aspirante à bateirista: ele é filho do Coelhinho da Páscoa, mas prefere se dedicar ao instrumento do que seguir as pegadas do pai; a narração, porém, se encarrega de anular o ponto crucial da história, revelando o desfecho logo no começo para relatar, de trás para frente, os eventos que levaram e ele.

Adicione um ou outro número musical e alguns percalços mínimos – um trio de coelhas ninjas e um pintinho maléfico que almeja assumir o posto de Coelhinho da Páscoa – e tem-se aí fórmula integral de “Hop”. A fragilidade da narrativa se escancara especialmente no ato final, em um clímax bagunçadíssimo que só deve agradar às crianças bem pequenas pela profusão de cores e movimentos – os adultos que as acompanham correm o risco de se sentir barbaramente torturados. Não se percebe qualquer esforço que diretor ou equipe possam ter feito para potencializar essa premissa preguiçosa. No final, “Hop” equivale a chocolate consumido em excesso: é dor de barriga na certa!

.:. Hop – Rebeldes Sem Páscoa (Hop, Estados Unidos, 2011, Comédia). Cotação: D-

3 Comentários leave one →
  1. Kamila permalink
    20/04/2011 11:06 pm

    Eu até pensei em assistir a este filme, mas depois desse teu texto, mudei de ideia!! rsrsrs

  2. Aline permalink
    21/04/2011 12:24 am

    Muito bom esse seu texto, adorei………
    rsrsrsrsrs….

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: