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Bradley Cooper vivendo Sem Limites

27/03/2011

Recomenda-se ignorar o trailer de “Sem Limites”, que faz o possível para realçar a presença do veterano Robert De Niro, no que é pouco mais de uma ponta. No thriller estrelado e produzido por Bradley Cooper, astro consumado desde o sucesso relâmpago de “Se Beber, Não Case”, há pouco espaço para qualquer um que não seja o galã. E não há nada de errado nisso: Cooper é bonito, carismático, eficiente e certamente capaz de segurar um filme. O diretor Neil Burger, o mesmo de “O Ilusionista”, também é muito apto a criar rimas visuais interessantes, imprescindível para um filme que se propõe a externalizar o íntimo de uma personalidade.

Na trama, Cooper é Eddie Morra, um escritor com muitas ideias na cabeça e nenhuma no papel. Sabe-se lá como, conseguiu contrato para um livro e tenta encontrar inspiração entornado doses e mais doses de cerveja. Num de seus devaneios, encontra um ex-cunhado que lhe oferece uma solução imediata para os problemas: uma nova droga que, ao invés de dopar, acelera o raciocínio, permitindo a quem a ingere utilizar os 80% do cérebro a que o ser humano nunca tem acesso. Sob o poder da pílula milagrosa, um mundo novo se expande para Eddie – e para o espectador também.

A fotografia lavada de cores se torna viva e saturada, e as ruas de Nova York se transformam em gráficos que sintetizam uma enxurrada de pensamentos. Em quatro dias, Eddie completa o livro – mas sua nova persona tem ambições ainda maiores. Ele desenvolve métodos astutos para ganhar dinheiro rápido e fácil, repagina por completo a aparência (palmas para o excelente trabalho de maquiagem), consegue conquistar de volta a namorada (papel de Abbie Cornish, de “Brilho de Uma Paixão”) e chama a atenção de executivos ultrapoderosos (o que dá a deixa para a introdução de De Niro).

Mas, claro, vive sob constantes ameaças: primeiro, porque a droga, como todas as demais, é nociva, podendo levar o cérebro a um colapso instantâneo ou exaurir por completo os que pararem de tomá-la abruptamente; segundo, porque gente muito perigosa está atrás do medicamento, e o último suplemento produzido está justamente sob o poder de Eddie, que afanou o estoque do ex-cunhado quando este foi encontrado morto.

“Sem Limites” desenvolve essa premissa fazendo uso adequado dos excessos: o ritmo é acelerado, a edição é frenética e os cenários são o epítome do luxo reservado a alguns poucos bem-sucedidos. É, enfim, um passatempo elegante e satisfatório, fácil de ver e de entender. Nisso, pode-se acusar o roteiro de simplificar a situação ao extremo, inserindo no enredo detalhes que não dão liga e enveredando por caminhos sérios – como os assassinatos que vão se acumulando – sem jamais encará-los com a seriedade e as consequências inerentes aos atos. Como essas opções não comprometem a diversão, porém, é fácil escusá-las.

.:. Sem Limite (Limitless, Estados Unidos, 2010, Thriller). Cotação: C+

3 Comentários leave one →
  1. 28/03/2011 11:35 pm

    Eu acho que o trailer desse filme conta até detalhes demais sobre a obra, mas eu vou conferir ainda para ver se é verdade.

  2. 31/03/2011 2:03 am

    Assisti hoje. Concordo que é fácil de ver e de entender. Mas, o ritmo frenético me deu agonia. Parece que queriam colocar a gente dentro do barato do Eddie. Me deu vertigem e eu fiquei ao ponto de passar mal! rsrsrsrs

    • 02/04/2011 1:59 am

      Ka, que judiação !!! Passou mal mesmo?? O filme não me provocou reação tão extrema, não. Foi um passatempo reles e passageiro🙂

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