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Atividade Paranormal: Tóquio

27/03/2011

O terror japonês, mais focado em espíritos e maus agouros do que em monstros e assassinos, é fonte de inspiração recorrente para o gênero no cinema hollywoodiano. Com “Atividade Paranormal: Tóquio”, o caminho percorrido é o inverso. Agora, é a vez de um sucesso americano ser garimpado pelo oriente – mesmo que um sucesso tão improvável como “Atividade Paranormal”.

O filme original, dirigido pelo desconhecido Oren Peli, foi rodado com um mínimo de recursos, em estética caseira, e cresceu no boca-a-boca gerado pelas exibições minguadas e canalizado pelo envolvimento de Steven Spielberg, que apadrinhou o longa e assegurou sua distribuição. Partindo do preceito “menos é mais”, o suspense da trama – na qual um casal passa a registrar em vídeo os estranhos fenômenos que se manifestam em seu quarto durante a noite – era atingido com um mínimo de recursos: uma porta trêmula, um barulho suspeito, uma sombra sem dono. Era bem empregado até mesmo o recurso (cada vez mais surrado) de colocar os personagens manuseando a câmera e só permitir ao público ver o que o aparelho capturou (ainda que a tentativa inicial de vender a história como real tenha sido derrubada de imediato). O resultado era de arrepiar os pelos da nuca de qualquer um, e o tipo de filme que retorna para o espectador na hora de dormir.

“Atividade Paranormal: Tóquio” foi apenas baseado no filme de Peli e não é sequer considerado uma sequência oficial (ao contrário de “Atividade Paranormal 2”, realizado pela mesma equipe e lançado no ano passado). O roteiro do japonês inventa uma ligação absurdamente tangencial com os acontecimentos do filme americano e, nos moldes replicados, tenta atingir potência similar. Culturalmente, a história tem amparo: a figura do espírito vingativo tem raízes na crença budista, e os personagens – dessa vez, um casal de irmãos – têm uma propensão natural para acreditar no tema e enfrentá-lo. Quando os primeiros sinais se manifestam, eles não buscam pela explicação mais lógica e desde o princípio tomam a situação pelo que ela é.

Infelizmente, o que o filme tem de próprio se resume a isso. De resto, trata-se de um pastiche do americano. Os sustos são parecidos, o enredo tem enrolações a serem amparadas e a fórmula já está desgastada. O esquema de câmera em primeira pessoa não convence e os letreiros que tentam induzir a veracidade dos fatos soam ridículos diante da produção excessiva. A sutileza única do cinema do país também fica diluída. O balanço final é insípido, mas irônico: o horror japonês, tão experiente ao tratar de ameaças sem forma das quais não é possível se defender, patina justamente quando tenta se igualar ao cinema que o toma como referência criativa. Dessa vez, as noites de sono não ficarão nem um pouco comprometidas.

.:. Atividade Paranormal – Tóquio (Paranormal Activity 2 – Tokyo Night, Japão, 2010, Horror). Cotação: D-

2 Comentários leave one →
  1. 27/03/2011 2:37 pm

    cada vez que eu lembro do Atividade Paranormal, eu acho que o filme é pior. não gostei tanto quando vi e na minha memória ele só piorou. nem tive a mínima curiosidade de ver suas continuções, versões, etc…

    saudadica, Louis! =*

  2. 27/03/2011 9:24 pm

    Se eu não gostei do primeiro, provavelmente não gostarei do segundo! Mas, acho interessante terem migrado essa história para Tóquio, palco dos bons filmes de terror. Será que era pra ver se a história iria melhorar mesmo???

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