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Como Esquecer em repescagem

10/02/2011

O brasileiro “Como Esquecer” estreou nos cinemas no ano passado em cópias limitadas – primeiro nas cidades-modelo, São Paulo e Rio de Janeiro, e em seguida nos grandes centros do sul e do nordeste. De volta à capital paulista na sessão CineCult do Cinemark, o filme pode ser descoberto por aqueles que, como este redator, deixaram-no passar despercebido em outra ocasião. Adaptado a partir de um livro autobiográfico por José Carvalho, com sugestões e interferências da diretora Malu de Martino, o enredo revolve em torno de Júlia (Ana Paula Arósio), professora de literatura inglesa e ensaísta, que após o fim de uma relação estável de dez anos, mergulha num estágio de profunda amargura e catatonia.

Lésbica assumida apenas em seu círculo íntimo e segregada pela personalidade forte e difícil, ela será amparada por um amigo gay, Hugo (Murilo Rosa), o único que ainda tem disposição para aturar seus rompantes. Ele também conhece a dor da perda: o parceiro de muitos anos faleceu por motivos que não se fazem claros, e lhe deixou alguns bens materiais e uma tonelada de lembranças. Hugo propõe que Júlia deixe o apartamento da ex, impregnado de más sensações, e se mude com ele e uma outra amiga – uma advogada (Natália Lage) que engravidou do namorado e foi abandonada por ele – para uma casinha na Pedra de Guaratiba, pouco além do Recreio dos Bandeirantes. Júlia topa a contragosto, em parte por razões financeiras, e lá, para que a trama cumpra seu arco dramático, virá a reconstrução da personagem.

Não é difícil entender porque Hugo é tão leal a uma amiga rude e arrogante: em flashbacks, cenas de uma viagem a Londres filmadas pela ex-mulher de Julia mostram-na como uma pessoa radiante e luminosa. O gênio intransigente intrínseco a ela é maleável aos laços de afeto – não apenas os conjugais e homossexuais, mas também os de amizade. É essa condição facilmente identificável que faz com que “Como Esquecer” transcenda o tema. Mesmo flertando com o poético, o filme não é pedante ou pesado; a linguagem rebuscada é seleta à narração em off da protagonista e todos os diálogos soam fluidos e verdadeiros. O excelente elenco – Arósio à frente, numa performance cheia de predicados – é a cereja do bolo. Uma boa surpresa, enfim.

.:. Como Esquecer (Brasil, 2010, Drama). Cotação: B+

2 Comentários leave one →
  1. 11/02/2011 1:29 am

    Eu adorei este filme. Achei a história muito bem contada e o elenco é o grande destaque mesmo! Beijo!

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