Skip to content

Incontrolável: muito barulho por nada?

26/01/2011

Tony Scott, um irmão menos talentoso de Ridley, está acostumado a fazer cinema como se fosse videoclipe: cortes rápidos, zooms cafonas, lampejos de luz e trilha branca demarcando a ação são características imprescindíveis dos thrillers que ele dirige em curtíssimo espaço de tempo. Tratam-se, enfim, de linguagens distintas, que quando combinadas podem gerar resultados catastróficos. Geralmente, é o que acontece. Mas, não com o recente “Incontrolável”. Essa é a dramatização exagerada de um incidente com um comboio nos Estados Unidos, acelerado para fora da estação sem a presença de um condutor. Na vida real, o trem foi reavido antes que pudesse causar danos concretos. Na ficção, tudo é potencializado em batidas, explosões e muito barulho, a ponto do filme descolar uma indicação ao Oscar de efeitos sonoros. Os personagens de Chris Pine e Denzel Washington (esse último em sua quinta parceira com o diretor) são funcionários da ferrovia – o primeiro recém-contratado, e o segundo um veterano às vésperas da aposentadoria – que, diante do caos, têm a oportunidade de provar o heroísmo e o valor. Enquanto eles tentam assumir o controle do trem, a montagem os intercala à apreensão de seus colegas, amigos e familiares, que acompanham tudo em tempo real pela televisão (o que possibilita aquelas cenas manjadas do pessoal reunido, torcendo, roendo a unha de aflição e comemorando). Mesmo acometido pelo roteiro displicente, “Incontrolável” corresponde a uma diversão adequada e a um bom exemplar no filão de filmes sobre máquinas aceleradas (um dos muitos a surgir sob a égide de “Velocidade Máxima”). A realização também é problemática – dependendo das opções da fotografia, por exemplo, o trem parece estar se locomovendo num compasso diferente -, mas o clímax é eficiente o bastante para lhe assegurar várias reprises nas tardes dominicais da Globo, num futuro próximo.

.:. Incontrolável (Unstoppable, Estados Unidos, 2010, Ação). Cotação: B-

4 Comentários leave one →
  1. 26/01/2011 4:19 am

    Estou com um texto em andamento sobre esse filme, mas já vou adiantar: muita coisa que você comentou está lá no que escrevi. Então, preciso concordar com muito do que você aponta. O roteiro que trata de exagerar à beira do inverossímil as situações (Washington correndo sobre o trem? Ah, por favor…), e os truques patéticos de sempre de Scott novamente não funcionam (e como você lembrou: há cenas em que a composição parece estar bem mais devagar do que alegam). É para assistir uma vez e logo esquecer, bem como a edição de som, que em nada inova e não justifica a indicação ao Oscar — mas, bom, quem liga para esse prêmio agora? Bonzinho. 5/10

    • 26/01/2011 7:54 am

      Mateus, sua impressão foi muito parecida à minha, mas sou mais condescendente com a nota porque acho que esse tipo de filme tem um público específico e que “Incontrolável” vai se relacionar bem com ele😉

  2. 26/01/2011 9:22 pm

    eu vi o trailer no cinema e me senti muito, muito mal.
    foi no mesmo dia que vi o trailer de Viagens de Gulliver, quando minhas forças quase se acabaram antes de começar o filme que eu queria ver de verdade (o lindo, cheiroso e amado Réuri Potter <3).

    enfim, filme que eu não verei JAMAIS, já que o trailer tirou toda minha vontade de viver.
    tchau, Denzel, já vai tarde já.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: