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Oscar 2011: Comentando os indicados

25/01/2011

Num balanço geral, não há muito que reclamar das indicações ao Oscar 2011. Salvo raras exceções, elas seguiram o padrão que os prêmios precursores já haviam estabelecido – e dar a dianteira ao britânico “O Discurso do Rei”, que lidera a lista com doze nomeações (em mais categorias técnicas do que merecia estar) só confirma que a Academia nunca desprezará aqueles que seguem as fórmulas narrativas mais básicas e tradicionais. “A Rede Social”, outrora favorito imbatível, continua em posição privilegiada pela estatueta de Melhor Filme, mas não a tem no bolso. Vale salientar que é interessante quando se delineia uma competição, para que o resultado não se torne tão banal e previsível. Por outro lado, que uma obra da estirpe de “A Rede Social” seja ameaçada por um drama genérico e empolado como “O Discurso do Rei” é, no mínimo, frustrante

Mas, isso é discussão para outra hora. No momento, o que se pode dizer é que o filme de David Fincher foi indicado a todas as categorias a que deveria ser, menos uma: ficou faltando emplacar Andrew Garfield em Ator Coadjuvante, uma injustiça inexplicável. Menos amados do que se esperava também foram “A Origem” (ignorado em Edição para Lee Smith e Direção para Christopher Nolan, este último indicado apenas pelo trabalho como produtor e roteirista) e “Cisne Negro” (esnobado em categorias prováveis como Atriz Coadjuvante, as duas de Som, Figurino e Roteiro Original – o único finalista a Melhor Filme a não ter o roteiro indicado). Por outro lado, “Bravura Indômita” e “O Vencedor” foram abraçados por completo – o primeiro garantiu indicação aos irmãos Coen pela direção (ocupando a vaga que, supunha-se, seria de Nolan) e o segundo fez bonito em tudo a que tinha direito (assim como “O Discurso do Rei”, trata-se de uma novela bem contada que tem seus adeptos).

A se comemorar: Javier Bardem, uma aposta arriscada em Melhor Ator, se concretizou; a indicação de Michelle Williams como Melhor Atriz (representando sozinha “Namorados Para Sempre”, embora Ryan Gosling também merecesse colher os louros); o ótimo John Hawkes, de “Inverno da Alma”, lembrado como coadjuvante; “Além da Vida” indicado a Efeitos Visuais (a sequência do tsunami, por si só, supera os truques mirabolantes de filmes completos); o documentário brasileiro “Lixo Extraordinário” colocando nosso país na disputa; o grego “Dente Canino” dentre os finalistas a Filme Estrangeiro, mesmo sendo dificílimo de degustar; John Powell prestigiado pela trilha sublime de “Como Treinar Seu Dragão”; e a não-indicação de “Burlesque” em Melhor Canção (aquele hino entoado pela Cher era realmente sofrível).

A se lamentar: Nicole Kidman indicada por uma atuação apenas competente em “Reencontrando a Felicidade”, em vaga que poderia ser de Julianne Moore (para se juntar à colega Annette Bening, de “Minhas Mães e Meu Pai”); Jeremy Renner era desnecessário em Ator Coadjuvante; Hailee Steinfeld, a protagonista de “Bravura Indômita” que finge ser coadjuvante, continua enganando todo mundo; a Melhor Canção do ano – “The Reasons Why”, do documentário “Wretches & Jabberers” – nem passou perto; “Enrolados” não figura entre as Melhores Animações, para ceder espaço ao indulgente “O Mágico”; as indicações excessivas de “O Discurso do Rei” e “O Vencedor”; a ignorada boçal à edição e direção de “A Origem”; e, é claro, Andrew Garfield, por quem lamentaremos eternamente.

A lista completa se encontra no site oficial. As previsões dos vencedores vêm numa fase mais avançada da disputa.

3 Comentários leave one →
  1. 25/01/2011 5:57 pm

    As muitas indicações previsíveis não conseguiram minimizar os danos das ausências — das quais A ORIGEM é a principal vítima. CISNE NEGRO com apenas 5 indicações?! Andrew Garfield, a melhor atuação (não: a melhor ‘coisa’) em A REDE SOCIAL; SALT e INCONTROLÁVEL, o que fazem nas categorias sonoras? Deve haver, mas não lembro de indicações mais frustrantes que as dessa manhã.

  2. Bruno Rabelo permalink
    26/01/2011 1:56 am

    E o páreo do Oscar, tão esperado, já está formado
    Quem terá uma chance pela estatueta foi divulgado
    Uns menos, outros mais, como O Discurso do Rei
    Que terá 12 oportunidades, se correto eu contei

    O Bravura Indômita concorre em 10, que é muito
    A Rede Social pode abocanhar 8 se tiver descuido
    Resta saber se a história do Facebook eles vão curtir
    Pois até a saga de um faroeste podem preferir

    Serve de exemplo o grandioso Avatar do ano passado
    Resultado frustrante para um video tão festejado
    Que colocou o 3D em alto nível, num outro patamar
    Porém não mais do que três prêmios conseguiu levar

    Mas não são as indicações que chamam a atenção
    Muitas nem sempre garantem coleção ao campeão
    Filme infantil concorrer como gente grande é o inusitado
    Merecidíssimo o Toy Story 3 neste patamar ter chegado

    Além de melhor filme, roteiro adaptado, animação
    Briga ainda por edição de som e melhor canção
    Houve alguma injustiça? Não. Tudo como esperado
    Exceto pelo Woody, como ator, deixado de lado

    http://noticiaemverso.com
    twitter: @noticiaemverso

    • 26/01/2011 2:14 am

      Mateus, concordo basicamente com todas as suas indignações. Nolan esnobado em direção só não chega a me ofender porque ele está indicado por roteiro e produção. Mas e outros que, como Garfield, morreram na praia completamente ?? Sacanagem !!

      Bruno, que comentário diferente rsrs… Parabéns.

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