Skip to content

Pré-estreia: Amor e Outras Drogas

24/01/2011

“Amor e Outras Drogas” não nega o escopo de comédia romântica, mas tampouco esconde as pretensões de se tornar algo mais. O filme, dirigido pelo improvável Edward Zwick (mais afeito a épicos que não correspondem ao seu potencial, como “O Último Samurai” e “Um Ato de Liberdade”), pretende intercalar uma história de amor e seus porvires habituais a um momento crucial da história da indústria farmacêutica – quando, em 1997, a multibilionária Pfizer lançou no mercado uma droga revolucionária, descoberta por acidente durante uma pesquisa. Seu diferencial: provocar ereções massivas em homens que, por uma série de fatores, não eram mais capazes de cumprir suas funções sexuais. O Viagra, como o medicamento seria chamado, reanimou relacionamentos catatônicos e, mais do que isso, tornou-se referência cultural e mote infindável de conversas e piadas – além, é claro, de uma mina de ouro para a Pfizer.

Não que Jake Gyllenhaal e Anne Hathaway, os protagonistas de “Amor e Outras Drogas”, precisem fazer uso da pílula milagrosa. O roteiro, no entanto, parece supor que a temática do filme é coerente o bastante para colocá-los no maior número possível de cenas de sexo. Tudo o que parecia interessar ao público e à imprensa era em quantas situações de nudez e alcova os astros se envolveriam – burburinho que os dois fizeram o possível para alimentar, muito provavelmente por recomendação do estúdio. O que se vê na tela, porém, é ousado para um gênero que costuma se assentar numa classificação entre 12 e 14 anos. Num contexto mais amplo, inclusive considerando o que outros atores do mesmo porte estão acostumados a mostrar, é inofensivo. Quem sai perdendo com a manobra são os próprios Gyllenhaal e Hathaway. Eles não foram escalados por conta do corpo. São, de fato, talentosos, e ao menos ela tem desempenho sensacional. Rumores iniciais chegavam a apontá-la como favorita ao Oscar de Melhor Atriz, e é lamentável que não tenha sido impulsionada o suficiente durante a temporada de premiações.

Jake interpreta Jamie, um mulherengo sem emprego fixo que descobre uma maneira eficaz de direcionar seu charme: uma carreira como representante de vendas de medicamentos. A montagem corriqueira sintetiza o treinamento que ele recebe para, logo em seguida, mostrá-lo trabalhando para a Pfizer, em nome da qual vai de consultório em consultório, oferecendo amostras grátis de remédios e novas alternativas medicinais. Numa dessas excursões, conhece Maggie (Anne), uma paciente diagnosticada com Mal de Parkinson aos 26 anos, já experimentando os primeiros sintomas da doença. Ambos começam a fazer sexo sem compromisso e, obviamente, vão rompendo a distância emocional e chegando relutantes ao namoro. Mas, o que fazer a partir daí? Como lidar com a vida real e os problemas concretos depois que o êxtase se dissipa?

O filme indica essa vertente séria e pertinente, mas a compromete com um desenvolvimento quadrado e soluções manjadas. Falha, também, em ligar as “outras drogas” do título ao amor. O ramo farmacêutico é, afinal, intrínseco à vida do americano comum, acostumado desde o berço a solucionar tudo que é tipo de problema à base de prescrições ou automedicação. Sobre esse dado, o roteiro esboça apenas comentários dispersos e truncados, frágeis a ponto de não conseguirem plantar a reflexão no espectador. Por outro lado, se há arestas a serem aparadas ali, ao menos é inegável que o casal central tem carisma de sobra para compensá-las. No final, há duas maneiras de encarar o resultado: como uma comédia romântica acima da média para a safra atual, ou como uma fita razoável cuja premissa lhe possibilitava muito mais. Cabe ao público optar pela impressão que lhe fizer apreciar melhor o longa.

.:. Amor e Outras Drogas (Love and Other Drugs, Estados Unidos, 2010, Comédia Romântica). Cotação: B-

3 Comentários leave one →
  1. Tiago permalink
    24/01/2011 10:19 am

    No começo eu achava que seria mais que uma comedia romantica, ai fui vendo e lendo e percebi que poderia ficar por isso mesmo, porem a vontade de ver ainda continua, mais pela Anne, pois filmes desse genero não me agradam mais, talvez o unico que eu tive o prazer e orgulho de dizer que gosto muito, é 500 days of Summer (:

    De qualquer forma, vou querer assistir do mesmo jeito.

  2. Joana permalink
    24/01/2011 9:36 pm

    ainda nao vi o filme, mas estou muito ansiosa!
    Antes de o ver, já tenho uma opinião para concordar ou discordar.
    Tenho altas expectativas para este filme, apesar de já estar a contar que elas nao serão correspondidas.

    • 26/01/2011 2:16 am

      Tiago, o filme em si não é tão fofo e diferente quanto 500 Days of Summer, mas é um pouco acima da média das comédias românticas atuais, e as nuances dramáticas são bem inseridas. Anne vale por toda a experiência. Gyllenhaal está bem, mas não brilhante como ela🙂

      Joana, depende. Você vai se frustrar com vários aspectos do filme, mas sei que conseguirá amar muita coisa! o/

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: