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Howl vem bater na mesma tecla

30/12/2010

“Howl” é dividido em três ações paralelas: a primeira, feita de depoimentos fictícios do poeta nova-iorquino Allen Ginsberg (1926-1997), interpretado por James Franco, sobre seu ápice criativo na década de 50 e seu trabalho mais controverso e polêmico, intitulado justamente Howl (Uivo); a segunda, centrada no julgamento que definiria, através da intimação de críticos literários, se o poema possuía valor artístico ou se era puramente obsceno e ofensivo ao leitor médio; e a terceira, composta por animações que recriam trechos da obra original e se intrometem nas sequências em live-action.

Rob Epstein e Jeffrey Friedman, que assinam o roteiro e a direção, têm experiência com histórias reais (Epstein, em particular, conquistou dois Oscars como documentarista, um deles pelo registro da vida de Harvey Milk, que seria dramatizada posteriormente por Gus Van Sant). Mas, falta-lhes a habilidade de trabalhar com script: todas as simulações soam pífias e preguiçosas, e nem mesmo os bons atores envolvidos (David Strathairn e Jon Hamm como advogados rivais; Mary-Louise Parker, Alessandro Nivola e Jeff Daniels como depoentes) conseguem torná-las convincentes.

Mais que o relato de um caso isolado, “Howl” tenta ampliar a discussão e contextualizá-la no plano atual. Exceto que não há mais por onde condenar o puritanismo americano, que está sob constante ataque e perdendo território: hoje, cada um pode viver muito bem dentro de suas opções, desde que seja bem resolvido consigo mesmo. Aproveitar a deixa para contrapor liberdade de expressão à censura – e colocar Ginsberg como o peão dessa causa – apenas torna o filme aborrecido, didático e estéril, e reduz o protagonista a um moleque exibicionista e desbocado. O esforço de Franco para adentrar no personagem é nítido. A caracterização física e os maneirismos estão lá, mas o texto drena a energia da performance. Ele que se acostume: está cada vez menos astro e mais ator. E, como representante do último grupo, dará alguns passos em falso e não terá um gordo cachê para compensar pela decepção.

.:. Howl (Estados Unidos, 2010, Drama). Cotação: D-

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